Elas no sistema: os desafios das mulheres no mercado de TI

Quando a pauta é mercado de trabalho e igualdade de gêneros, um tema que sempre emerge dessas discussões é a projeção das mulheres no mercado de TI – este, um segmento historicamente com predominância de homens. Apesar disso, cada vez mais vemos Lauras gerentes de sistemas, Robertas analistas de dados e Déboras desenvolvedoras.

Sim, o quadro vem mudando. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) feita pelo IBGE, 20% das vagas de TI estão ocupadas por mulheres. Elas também são 15% de todos os estudantes dos cursos de Ciência e Engenharia da Computação. Apesar de tímidos, os índices refletem uma tendência global de mercado, que é a ocupação cada vez maior das mulheres por cargos de tecnologia, bem como de gestão e chefia.

Uma vez que os dados acima referem-se ao ambiente brasileiro, como seriam esses índices no mundo? Considerando o principal e mais forte mercado no mundo, os Estados Unidos, elas são 25% de toda a força de trabalho em TI, de acordo com dados do censo daquele país. E, segundo o Google, 30% de seus colaboradores são mulheres. Ou seja: há ainda muito espaço para as mulheres programadoras, tanto no Brasil quanto no mundo.

Mulheres em TI – as dificuldades

Há espaço, mas as pedras no caminho são muitas. Mulheres que estão no mercado de TI ou mesmo ainda no período de estudos e formação enfrentam dificuldades, vindas muitas vezes de onde deveriam surgir as maiores manifestações de apoio: família e amigos, que duvidam de sua capacidade de cursar computação, engenharia e outros da área de exatas.

Além disso, o próprio mercado se posiciona de maneira a prejudicar a trajetória de mulheres, em especial quando estão em cargos de TI, principalmente por conta de gravidez e posterior compromisso em cuidar dos filhos. Todos esses percalços refletem em um preocupante dado, que também consta na PNAD: 79% das mulheres que iniciam a faculdade em cursos de TI abandonam os estudos ainda no primeiro ano.

Mulheres programadoras à luta!

Diante desse cenário, alguns pontos de luz ajudam a elucidar o caminho das mulheres que desejam trabalhar e/ou continuar no mercado de tecnologia. Uma iniciativa desse tipo é a {reprograma}, projeto social que se propõe a ensinar programação para mulheres (cis e trans) que não tenham condições financeiras para bancar um curso pago e aprender a atividade. Para conhecer mais, basta acessar o site: http://www.reprograma.com.br.

Em paralelo, o Girls In Tech (https://girlsintech.org) promove a conscientização da população e a diminuição das barreiras de gênero no mercado de tecnologia por meio da educação. Elas também atuam no Brasil: https://brazil.girlsintech.org. Também há o grupo de Meetup Women in Technology, que organiza encontros em que são discutidos temas como atuação e posição de mulheres em cargos de tecnologia e liderança.

Outra iniciativa de peso é o projeto Advancing Women in Technology da CompTIA (Computing Technology Industry Association), entidade norte-americana provedora de certificações profissionais em TI e parceira da Matza Education. O projeto tem como objetivo inspirar e empoderar mulheres profissionais de TI de todo o mundo em suas trajetórias profissionais, bem como encorajar empresas a trabalhar questões de diversidade de gênero. Conheça mais em https://www.comptia.org/communities/advancing-women-in-it.

Mulheres em TI fazendo história

Existem muitos outros exemplos de luta e inspiração de mulheres que conquistam espaço nesse mercado. Marissa Mayer, profissional da computação que já ocupou espaços de liderança no Google, hoje é CEO do Yahoo, é apenas um entre muitos exemplos.

Para não ficar apenas no presente, temos figuras históricas importantes que, sem o trabalho delas nada seria de nós. Por exemplo, Hedy Lamarr inventou a tecnologia que hoje utilizamos em celulares e nas redes wi-fi, itens indispensáveis na vida de qualquer um de nós atualmente. Isso sem falar em Ada Lovelace, que desenvolveu o primeiro algoritmo da história.

Bons exemplos e iniciativas são importantes, e aliados à imensa força de vontade das mulheres que hoje galgam posições em cargos de TI fazem a diferença. Mas não bastam – é preciso muito mais. Conscientizar a sociedade e pressionar instituições e governos a fomentar a atuação das mulheres no mercado de trabalho, em especial de tecnologia.

Fontes:

MdeMulher – https://mdemulher.abril.com.br/trabalho/por-que-as-mulheres-ainda-sao-minoria-na-area-de-ti/
Uol Meu Negócio – https://meunegocio.uol.com.br/academia/tecnologia/a-dificil-missao-de-ser-mulher-no-mercado-de-ti.html
CanalTech – https://canaltech.com.br/mercado/mulheres-e-o-desafio-pela-igualdade-no-mercado-de-ti-109724/
{reprograma} – http://www.reprograma.com.br
Girls in Tech Brazil – https://brazil.girlsintech.org
São Paulo Women in Technology Meetup – https://www.meetup.com/pt-BR/Sao-Paulo-Women-in-Technology-Meetup/

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